Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada mostram que as mulheres dedicam, em média, 10 horas a mais por semana aos afazeres domésticos do que os homens. Esse desequilíbrio tem efeitos concretos: limita o acesso ao mercado de trabalho, impacta a renda e contribui para o adoecimento. Atualmente, elas já representam mais de 60% dos afastamentos por questões de saúde mental no país, em um cenário marcado pela sobrecarga e pela desigualdade na divisão do cuidado.

E, infelizmente, essa não é uma discussão distante para a Defensoria Pública do Estado do Ceará. A instituição conhece de perto essa realidade a partir da rotina de atendimentos: são as mulheres as principais usuárias do sistema de justiça, trazendo diariamente relatos que evidenciam o peso do cuidado em suas trajetórias de vida.

Nos atendimentos, são frequentes os casos de mulheres que dedicaram anos ao trabalho doméstico e à criação dos filhos e que, após uma separação, precisam recomeçar sem independência econômica. Também são comuns situações em que, mesmo sob guarda compartilhada, o cuidado cotidiano permanece concentrado nas mães, além de histórias de mulheres que assumem sozinhas a responsabilidade por familiares idosos ou enfermos, acumulando múltiplas jornadas.

“A economia do cuidado não é um conceito abstrato. Ela aparece, todos os dias, nas histórias que chegam à Defensoria. Quando a comunicação traz esse tema para o centro do debate, ela não apenas informa. Ela revela desigualdades que foram tratadas como naturais e ajuda a deslocar esse cuidado invisível para o campo dos direitos”, destaca a jornalista Bianca Felippsen, responsável pela Secretária de Comunicação da Instituição.