Manfredo Rommel Cândido Maciel

Coordenador das Capitais da Defensoria Pública do Estado do Ceará 

Desde setembro de 2006, Manfredo Rommel Cândido Maciel se tornou a continuação do sonho dos pais, ambos servidores públicos, ao construir trajetória no setor público como defensor público. Embora a Defensoria não tenha sido a primeira opção de carreira, o objetivo inicial era ser delegado da Polícia Federal, os caminhos da vida o levaram à instituição onde encontrou realização.

A trajetória começou na Comarca de Pacajus, passou por Aquiraz e, em 2008, ocorreu a designação para a 12ª Vara Criminal. Depois, veio a atuação na 6ª Vara Criminal como titular, posição assumida a partir de 2011. Em 2021, houve a nomeação para a Coordenação das Defensorias da Capital, onde segue contribuindo para a gestão e o fortalecimento da atuação institucional.

Defensoria: O que mudou em você desde a sua primeira atuação enquanto defensor público?

Mudou muita coisa. Mudou o meu caráter humano, a minha sensibilidade e essa capacidade de aprender a me colocar no lugar das pessoas. Confesso que ser defensor público nem sempre foi a minha primeira opção, eu tinha muita vontade de ser delegado de Polícia Federal. Era esse o concurso para o qual eu me dedicava, estudei muito para conseguir ser aprovado. Mas, felizmente, eu não fui.

Felizmente hoje, na época, foi um grande baque. Eu estudei muito para esse concurso, não consegui passar e fiquei bastante abalado. Mas, na resiliência que todo concurseiro precisa ter, continuei estudando e acabei sendo aprovado na Defensoria.

Até então, eu ainda pensava em continuar estudando para mudar de carreira. Só que, quando comecei a atuar, senti uma realização pessoal muito grande como defensor público. Aquela vontade de seguir para outro concurso passou, sumiu mesmo. Hoje, não tenho mais isso. Sou realizado como defensor público.

Defensoria: Há algum caso, em sua trajetória, que o marcou de forma especial?

Como a maior parte da minha trajetória na instituição foi na Defensoria Criminal, eu acumulei muitas histórias marcantes. Lidar diariamente com liberdade, com expectativas e com a vida das pessoas faz com que cada caso tenha um peso próprio. Mas sempre me toca profundamente quando recebo o agradecimento de alguém cuja inocência conseguimos comprovar.

É muito forte ver o alívio no olhar, o aperto de mão firme, a emoção de quem passou por algo tão injusto e, finalmente, consegue respirar de novo. Cada agradecimento desses, cada expressão sincera de gratidão, fica na memória. Provar a inocência de uma pessoa é uma missão difícil e, quando isso acontece, marca não só a carreira, mas também a forma como a gente enxerga a nossa responsabilidade no mundo.

Defensoria: O que você deixa de mensagem para a próxima geração de defensores

A mensagem que eu deixo é a de sempre acreditar, de sempre ter esperança e de nunca se acomodar. Ser defensor público é uma missão muito nobre, mas a gente não pode cair na mesmice, nem achar que tudo vai ser sempre igual. As dificuldades existem e são muitas.

Nós atuamos ao lado da parte mais vulnerável, das pessoas que chegam feridas, fragilizadas, sem recursos. Estar ao lado delas torna a nossa luta mais difícil, mais pesada. Por isso, não podemos nos deixar abalar por essas barreiras, nem usar essas mesmas barreiras como desculpa para estagnar.

É um equilíbrio constante: reconhecer que é difícil, sim, mas nunca desistir por causa da dificuldade e, ao mesmo tempo, jamais transformar a dificuldade em justificativa para acomodação. Esse é o compromisso que a próxima geração precisa carregar.

Defensoria: Se pudesse resumir sua história na instituição em uma palavra, qual seria?

A palavra é alegria. Tenho muita alegria, muita felicidade e uma gratidão enorme por ser defensor público. É realmente um privilégio fazer parte dessa instituição e viver, todos os dias, a missão que ela representa.



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